Until Dawn

Um slasher jogável… como é que ninguém se lembrou disso antes?

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Desde a Lisboa Games Week, em Outubro do ano passado, que Until Dawn despertou o meu interesse, em grande parte, devido ao facto de tentar recriar um filme do género slasher tipicamente americano. Filmes como Halloween, Friday the 13th ou The Texas Chainsaw Massacre fizeram parte da minha juventude e, por muito cheesy que estes sejam, terei sempre um carinho especial por este género. É um sentimento parecido com o que tenho pelos filmes de acção dos anos 80 e 90, como por exemplo Rambo ou Lethal Weapon. As inspirações de Until Dawn são muito claras, não só os slashers são uma referência, como também o são outros filmes de terror que, se os nomeasse, provavelmente iria resultar em grandes spoilers. Com isto em mente, se gostarem imenso de cinema de terror vão, naturalmente, gostar de algumas referências presentes neste jogo.

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Muito ao contrário de outros survival horrors, Until Dawn não parte do princípio de que é um jogo, mas sim de que é um filme, sendo que a ideia é adaptá-lo para ser interactivo. O resultado final dessa linha de pensamento é uma surpresa agradável. Until Dawn começa com oito amigos a passarem férias em Blackwood Pines, uma pequena localidade praticamente abandonada e semi-isolada do mundo devido à sua geografia. Para piorar (ou melhorar, depende do ponto de vista), toda a acção se passa durante um Inverno rigoroso. Rapidamente os nossos personagens começam a aperceber-se de que não estão sozinhos na montanha e a partir daqui começa o jogo do gato e do rato. A premissa de Until Dawn não passa muito disto, tal como num típico filme slasher americano, no entanto, é a interacção entre as personagens e a vivência com as mesmas, que torna este título em algo único. Cada personagem tem uma personalidade muito bem definida e todos estão relacionados de alguma maneira. Isto tem um impacto enorme na narrativa, não só devido às decisões que temos de tomar e suas consequências, mas também devido à própria personalidade do jogador, que se irá identificar mais com este ou aquele elemento. Na hora de decidir, sem dúvida que a nossa personalidade vai ter um peso gigante. Tal como em outros jogos considerados similares, a nossa decisão é requerida constantemente. Grande parte do que fazemos tem um peso significativo, não só no final, mas também durante o desenrolar da acção.

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“Mas e quanto ao jogo em si?”, Perguntam vocês. Bem, a verdade é que infelizmente é essa a parte mais fraca, não por ser má, mas pela sua simplicidade e por outro aspecto, que referiremos mais adiante.

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Podemos dividir o jogo em duas partes: exploração e acção. A primeira está muito bem implementada, o ambiente é de cortar a respiração, sempre muito sombrio e opressivo. Explorar os cenários de Until Dawn é um prazer imenso, há sempre algo com que interagir e para descobrir, de forma a percebermos melhor o que se passou antes da narrativa. Os únicos aspectos negativos aqui são: a jogabilidade, por vezes, algo presa, e as mudanças de perspectiva, que representam muitas vezes um obstáculo à fluidez geral. Depois vem a parte da acção, onde se insere o “tal aspecto”, que é, adivinhem… Quick Time Events! Verdade seja dita, não sou nada fã desta mecânica e, como tal, assim que me apercebi que boa parte do jogo iria recorrer a isto, fiquei logo de pé atrás. Porém, é necessário colocar as coisas em perspectiva: Heavy Rain ou Fahrenheit recorrem imenso a isto, no entanto foram pensados para o fazer. Until Dawn é outro desses casos, algo que, sinceramente, até faz algum sentido em partes de grande pressão onde, se falharmos, podem resultar consequências brutais ou irreversíveis. Por outro lado, continua a ser, pelo menos para mim, uma mecânica desprovida de diversão e vazia de sentimento de realização. Escusado será dizer que, nestas partes, a jogabilidade é quase não aplicável, no entanto, existem algumas secções de tiroteio, onde é necessário apontar para certas partes do ecrã, algo muito similar ao que a Telltale faz nos seus jogos. Podem contar igualmente com uma longevidade bastante significativa, principalmente se desejarem explorar todas as vias possíveis para a narrativa.

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Nada disto seria tão impressionante sem a qualidade visual e sonora presente. Os gráficos são realmente do melhor que alguma vez vi, super detalhados, quer nos personagens quer nos cenários. O ambiente que a qualidade gráfica proporciona é também impressionante, com efeitos de luz e de sombra incríveis. Com um título que se baseia bastante na interacção das personagens, é natural a existência de variadíssimos diálogos. Felizmente, as expressões faciais estão muito bem conseguidas, tal como os actores que dão a voz são soberbos, o que faz com que as secções de diálogo e interacção entre os personagens sejam um dos aspectos mais positivos que podem encontrar. Quanto ao som, está também irrepreensível. Recomendo-vos vivamente, se tiverem oportunidade, que joguem num bom sistema surround, pois tal vai proporcionar-vos uma experiência ainda melhor, bem como uns sustos ainda mais acentuados, para além de poderem ouvir a fabulosa banda sonora original com uma qualidade superior, algo inteiramente merecido.

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Until Dawn é um survival horror que não faz nada de propriamente novo, mas que consegue ser, de certo modo, original. É uma experiência diferente, dentro do género, e uma que merece ser jogada, apesar de alguns problemas sérios.

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Veredicto
Apesar de alguns problemas, não deixa de ser uma muito agradável experiência.
Plataforma
PS4
Produtora
Supermassive Games
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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