White Knight Chronicles

8
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 8/10
Gráficos : 9/10
Som : 9/10

White Knight Chronicles é JRPG que ainda antes do seu lançamento no Japão fazia muito furor devido à sua conceptual art exótica e interessante, aos pequenos vislumbres da sua história que chegaram ao domínio público, e também ao facto de vir da produtora Level-5, que nos têm trazido bastantes títulos de sucesso. Mas será que este é apenas mais um JRPG?  Apenas mais um título num género que têm vindo a perder peso por terras ocidentais? A única resposta correcta a estas perguntas é sim e não, isto porque por um lado a popularidade dos JRPG’s têm diminuído independentemente da sua qualidade e por outro porque as consolas de Sony, que outrora dominavam este mercado, não têm agora títulos de qualidade suficiente para satisfazer os fãs de longa data do género.

Outra questão pertinente deve-se ao facto do período de tempo entre o lançamento internacional e o lançamento em terras nipónicas, o que tipicamente se traduz em muitas antevisões fazerem prognósticos errados com base nas críticas produzidas acerca do título no Japão, seja por criarem grandes expectativas baseadas na jogabilidade de um povo com uma cultura de jogadores totalmente distinta, ou por se perder interesse no título devido a pontuações baixas deixadas pela crítica. No caso concreto de White Knight Chronicles, creio que isto é bastante visível, e uma análise rápida à crítica internacional deixa uma média de pontuações de 5/6 em 10, que é totalmente incompreensível, especialmente quando comparado com as notas obtidas por títulos como Final Fantasy XIII, que nem os fãs mais ferrenhos ficaram agradados.

White Knight Chronicles conta a história de Leonard, um órfão criado por um humilde produtor de vinhos, cuja vida muda abruptamente de rumo ao fazer uma entrega para as festividades a celebrar o aniversário da princesa do reino, Cisna. Durante os festejos, onde Leonard e seus amigos entraram à socapa,  o castelo é atacado por uma força desconhecida, e no meio de todo o caos, o Rei é assassinado, e vendo a vida da princesa em perigo, Leonard, agarrado a uma memória de infância do sorriso de Cisna, assume o papel de um cavaleiro disposto a dar a sua vida para a proteger. Luta após luta, Leonard e Cisna vêem-se encurralados na sala de tesouro do castelo, onde defrontam um inimigo formidável, e quando a esperança de o conseguir derrotar é quase nula, Leonard entra em contacto com um artefacto à muito selado no castelo, uma Knight Ark, uma relíquia de uma antiga civilização que concede um poder enorme àquele que consiga estabelecer um pacto com ela. Como se guiado pelo destino, Leonard é o escolhido para envergar esta armadura de cavaleiro, e após estabelecer o pacto, consegue finalmente derrotar o inimigo à sua frente. Todavia, não consegue evitar o rapto da princesa Cisna, e compete-lhe agora usar o seu novo poder para a resgatar do inimigo…

A história desenvolve-se rapidamente, e vemo-nos no meio de um conflito intemporal entre duas raças que se pensava à muito estarem extintas, e entre as facções que as apoiam. À semelhança da Knight Arc agora possuída por Leonard, descobre-se a existência de outras quatro, e de uma lenda que augura a destruição do mundo se todas forem reunidas.

Embora seja um pouco previsível, especialmente para os fãs de longa data do género, existem pequenas nuances na história que por vezes nos conseguem surpreender, algo que já não via à muito, e que diria mesmo ter sido completamente esquecido pelas franchises mais populares, que já à muito deixaram de dar importância a detalhes.

Embora o protagonista principal do enredo seja o Leonard, antes de começarmos o jogo temos direito a criar uma personagem jogável ao nosso gosto, através de um editor de personagens bastante complexo e detalhado, se calhar até em demasiada, sendo que para os menos pacientes o mesmo possa ser aborrecido, e uma selecção de características um pouco aleatórias acabe em personagens masculinas ligeiramente efeminadas, ou vice versa.  Muito para meu desagrado, a personagem por nós criada é um mero espectador nos diálogos e cutscenes, sendo raramente referido, não tendo um mínimo impacto no desenvolvimento da história e aparentando por vezes ser um stalker atrás dos verdadeiros intervenientes deste mundo.

Os cenários, a música ambiente, o design dos monstros e personagens é todo ele inspirador e original, deixando-nos uma clara vontade de andar a divagar pelo mundo em missões exploratórias e em lutas épicas.

Em termos de jogabilidade, o sistema de combate pode ser um pouco estranho de início, mas têm aspectos bastante interessantes face a outros JRPG’s. Em primeiro lugar, em White Knight Chronicles os combates são realizados no mundo real, não havendo o esquema típico da colisão com o inimigo, ouvir-se uma música de início de batalha que se torna cansativa passado algum tempo, e de seguida sermos transportados para uma pseudo-região do mapa onde ninguém interfere na nossa luta. Aqui temos de ter sempre em atenção o cenário que nos rodeia, de forma a não nos colocarmos no meio de uma emboscada a meio de um combate. É preciso avaliar constantemente o mapa e os inimigos à nossa volta, de forma a termos sempre em mente os riscos que corremos num dado momento.

O desenvolvimento das personagens apresenta uma grande variedade, e está intrinsecamente ligado ao sistema de combate, sendo que os ataques deste último são escolhidos a dedo pelo catálogo de skills já desbloqueadas pelos jogadores, e que podem ser combinados para criarem as vossas combos a gosto, aumentando e personalizando ainda mais os ataques possíveis. Cada ataque/magia pode ter associado um custo a nível de MP (Mana Points) ou AC (Action Chips), consoante o seu poder, embora este custo não deva ser interpretado como um bom indicador dos melhores ataques, visto cada monstro ter as suas fraquezas individuais, quer em pontos fracos no seu corpo, como de resistência a certos elementos.

Na minha opinião o que ficou a falta ao jogo, foi um pouco de variedade nos equipamentos existentes, bem como uma explicação mais clara dos seus efeitos, visto não se perceber se uma armadura “leve” influencia de alguma maneira a agilidade/velocidade das personagens face ao uso de uma armadura “pesada”, sendo que tipicamente apenas é indicado qual a defesa que ambas providenciam. De facto, raras foram as situações em que as minhas personagens, independentemente da sua classe principal, não tivessem vestidas da mesma maneira. O sistema de crafting também não foi na minha opinião bem conseguido, aparecendo relativamente tarde no jogo. A própria recolha de ingredientes para o crafting também é ela monótona, e dependendo do nível de dificuldade a que estão a jogar, podem muitas vezes chegar à conclusão que os atributos extra de certos itens não compensa o esforço e o tempo perdido da sua criação.

O facto deste sistema também revolver à volta de uma tribo de sapos também não é muito fascinante, em primeiro lugar não se compreende o porquê deste nicho de mercado apenas estar à responsabilidade de uma raça, e em segundo porque a imagem que passam é mais de uma tribo de ladrões saída de uma lenda das Arábias.

Por fim, falta apenas referir o conteúdo multiplayer deste jogo, o qual é sem dúvida uma lâmina de dois gumes. Ao contrário da maior parte dos jogos, onde o design do singleplayer e multiplayer  é claramente distinto, em White Knight Chronicles, eles andam de mãos juntas, e têm um impacto bastante significativo um no outro. Atrás referi o facto da inclusão de uma personagem feita por nós não ter qualquer tipo de impacto na história ser um pouco bizarro, e realmente se este jogo fosse apenas um título singleplayer, a existência desta personagem não faria qualquer sentido. Porém, será essa personagem criada por vocês que irá ser a vossa imagem de marca em toda a interacção multiplayer, saindo das sombras e finalmente assumindo o protagonismo esperado.  Por outro lado, a quase totalidade das side quests foi feita para ser jogada em modo multiplayer, retirando alguma importância ao single player, algo que é feito cada vez com mais regularidade, e que na minha opinião remove valor aos jogos. Em termos de multiplayer, existe também o sistema Georama, o qual vos permite criarem a vossa própria cidade, e que pode ser apelativo para muitos.

Em resumo, o jogo irá ser certamente do agrado dos fãs de JRPG’s, e é na minha modesta opinião um jogo menosprezado pela crítica sem razão, e o qual me deu bastante mais prazer jogar do que o Final Fantasy XIII, o qual acabei imediatamente antes do White Knight Chronicles. Todo o grafismo e música são bastante bons, e emergem-nos no jogo, o que é impressionante tendo em conta o tempo que levou para este título chegar a território europeu. Quando acabei o jogo, pagava imediatamente pela sua sequela caso ela estivesse já disponível, o que é algo raro, e que mostra que souberam “terminar” a história de forma inteligente, e que o jogo não se foi tornando enfadonho à medida que as horas de jogo se foram acumulando.

Autor: Jorge Fernandes Pesquise todos os artigos por

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