Wii Music

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Longevidade: 2/10
Jogabilidade: 1/10
Gráficos: 2/10
Som: 2/10

botão de mute na TV… agora a sério, tem boas intenções mas mal executadas

Mau som, má jogabilidade e ser difícil não desligar após os primeiros 10 minutos

A expectativa inicial à volta deste jogo até era grande pois os primeiros vídeos que anunciavam a vinda da Wii já nos aliciavam com a hipótese de sermos maestros virtuais. Na mítica E3 de 2006 foi inclusivamente o primeiro jogo da excitante nova consola a ser mostrado ao público, ainda por cima com a pompa e circunstância de ser “orquestrado” pela estrela da Nintendo, Shigeru Miyamoto.

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Apesar de já ser conhecido há bastante tempo, Wii Music foi sendo atrasado até 2008 e, quando pus por fim as minhas mãos no Wiimote e Nunchuck para tocar os instrumentos musicais de Wii Music, fiquei embasbacado… e não foi de alegria! O problema é que, de uma forma mais grave do que em outros jogos da Wii, percebemos que os “futuristas” sensores de movimentos dos comandos não eram assim tão espectaculares nem tão “mágicos” ou, na verdade, tão precisos que nos permitissem tocar instrumentos musicais devidamente. O que nos resta é apenas abanar os comandos, tocar num ou outro botão ao calha e fazer barulho. Utilizar os comandos de forma similar aos instrumentos torna a sensação mais divertida mas é preciso muito boa vontade para acreditar que isso está a afectar a qualidade do resultado produzido. O que acontece é que para qualquer adulto não alcoolizado (não experimentei este jogo de outra forma) esta experiência tornar-se-á extremamente limitada e aborrecida ao fim de poucos minutos. Pode-se dizer que o jogo é mais indicado para crianças mas mesmo para elas não me parece que se consiga tornar suficientemente apelativo. A ideia mais acertada será provavelmente a utilização em família, em que os pais juntamente com os filhos pequenos tentam com esta experiência interactiva aprender um pouco sobre os fundamentos dos instrumentos e sobre música, mas novamente será preciso muita força de vontade para superar a frustração inicial e ver algumas qualidades neste jogo. Ora para justiça desta review forcei-me a esmiuçar um pouco mais a fundo e tentar perceber o que era afinal Wii Music, se era simplesmente um brinquedo de fazer barulho, um jogo ou um dispositivo interactivo didáctico. No fundo descobri que é um pouco disso tudo mas não é muito bom em nenhuma das partes.

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Começando pela primeira, faz barulho? Sim, faz bastante barulho e pode-se “criar” composições sonoras dignas de apelar à surdez. O que quer isto dizer? Que podemos simplesmente abanar os comandos ao calha e o som sai e tentar o melhor que pode soar bem e estar integrado nas músicas pré-existentes, tentando dar a sensação de que estamos a ser bem sucedidos na nossa tarefa … mas na verdade não soa assim tão bem e torna evidente que em primeira instância tudo é automático demais e a nossa participação é irrelevante. É isto que faz com que Wii Music seja muito pouco um jogo propriamente dito, pois não há uma forma certa de tocar cada uma das 50 canções disponíveis e nem sequer um sistema de pontuação que nos diga se fomos bem sucedidos. A ideia é improvisar e a questão do resultado ser bom ou mau é deixada a nosso critério. O modo principal, Jam Mode não funciona então como um jogo progressivo, pois não existem canções mais complicadas a desbloquear ou pontuações a bater… funciona mais como uma Jam Session de uma banda filarmónica psicadélica que vai experimentando esta ou aquela canção. No que respeita a variedade musical a interpretar, temos, como já foi referido, 50 músicas, clássicos intemporais como Twinkle Twinkle Little Star e Parabéns a Você. A maioria serão músicas clássicas ou tradicionais de Domínio Público e também algumas melodias míticas da Nintendo. Para as interpretar podemos fazê-lo sozinhos, até 4 pessoas ou acompanhados com Miis que tocam automaticamente nas posições vagas da banda. Podemos escolher entre uma selecção gigante de 66 artefactos de quinquilharia musical divididos em 4 tipos básicos de instrumento, que é como quem diz, toca como uma guitarra, piano, violino ou bateria pois o resto é basicamente a mesma coisa disfarçado de quase todos os instrumentos imagináveis e inimagináveis. E quando digo inimagináveis falo mesmo a sério já que entre trompetes, guitarras, pandeiretas e apitos encontramos também pérolas como gritos de karaté, risinhos de cheerleaders e cantigas de cães e gatos (entre outros absurdos).

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Relativamente a mini-jogos existe o Mii Maestro (o tal demonstrado pelo Myamoto na E3) onde mais uma vez não existe qualquer indicador de que estamos a fazer um bom ou mau trabalho na condução da orquestra – mas neste caso existe uma pontuação no final. Não me considero nenhuma nulidade musical mas nas tentativas feitas essa pontuação foi sempre muito má, o que torna frustrante uma experiência até aqui tão “permissiva”, ser julgado tão negativamente sem sequer nos explicar o que estamos a fazer errado. Em Handbell Harmony abanamos os comandos de acordo com o ritmo sincronizados com as notas que aparecem, sendo a experiência mais convencional de jogo presente neste pacote (mas mesmo assim não é nada de especial). Pitch Perfect leva aos jogadores tentar distinguir sons ou notas, é provavelmente a parte mais educativa do conjunto mas também é provável que ninguém chegue a ter paciência de a experimentar.

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É de referir por fim a possibilidade de tocar bateria, utilizando os comandos juntamente com a Balance Board e esta sim pode ser uma experiência surpreendentemente mais complexa… até demais, pois para aproveitar todo o seu potencial temos que combinar uma série de toques de movimentos e botões específicos, tornando-se mais complicado do que tocar bateria no Guitar Hero ou até num instrumento a sério.

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Resumindo e concluindo, Wii Music é uma experiência com boas intenções e até mais conteúdo do que se possa esperar, pois temos por exemplo até a hipótese de gravar as nossas versões das canções e partilhá-las depois com os nossos amigos… mas existirá hoje em dia alguém com paciência para jogar isto mais de 5 minutos, fazer figuras tristes a gravar músicas e ouvir as sinfonias destrambelhadas criadas pelos outros? Arrisco-me a responder em nome da Humanidade e dizer “Não!”.

Autor: Joao Sousa Pesquise todos os artigos por

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