Provavelmente já todos nós nos perguntámos o que acontece às gomas que deixamos cair ou que perdemos sem saber bem como… Certo? Bem, provavelmente não, mas é a esta questão a que World Gone Sour pretende responder.
Baseado nas gomas da famosa marca Sour Patch Kids nos Estados Unidos, o jogo foi desenvolvido pela empresa Play Brains e lançado em Abril de 2012 para a PS3, Xbox 360 e PC. Passado num ambiente que roça a realidade, com doses de humor negro, encarnamos uma das gomas que nunca conseguiu atingir o objectivo supremo da vida de qualquer goma que se preze: chegar ao estômago de um humano. Toda a acção se centra então na luta incansável dessa personagem amarga em cumprir o mote da sua criação. Não aconselhado a diabéticos, fará qualquer jogador salivar enquanto ultrapassa inimigos que vão desde pastilhas elásticas a pilhas sobrecarregadas.
Inicialmente passa-nos pela cabeça que este jogo é algo virado para crianças, não só por ser uma manobra de marketing descarada da Sour Patch Kids para promover o seu produto, como também por andarmos a jogar com uma goma verde em cenários como o chão de uma cadeia de fast–food. Mas, assim que iniciamos o jogo, vemos que não é de todo aconselhável a crianças. No menu inicial deparamo-nos logo com uma das gomas a correr atrás de outra com uma faca na mão e a esfaqueá-la repetidamente e a esconder o corpo. Ainda aqui deparamo-nos com uma das personagens a correr com a cabeça de outra na mão, uma com um prego enterrado no corpo, outra a arder. Resumindo, um show de horrores com sabor a doce, em que as nossas gomas correm de um lado para o outro a gritar como loucas. É aqui que é possível perceber a carga de humor negro que este jogo nos traz.
Ao longo de cada nível, além de recolhermos uns troféus denominados de secrets, recrutamos também seguidores que, após atingirmos um determinado número, servem para se fundirem à nossa goma principal e assim crescermos de tamanho e adquirirmos novas capacidades nos 3 tamanhos diferentes. No modo mais pequeno, somos mais ágeis, no entanto, mais vulneráveis. No tamanho maior podemos ser atingidos 3 vezes antes de morrermos, temos ataques que nos permitem enviar os nossos pequenos amigos com energia extra contra inimigos armados e podemos ainda partir determinados tipos de chão.
Para conseguirmos apanhar determinados objectos, como estrelas que aumentam o highscore ou pedaços de goma que acumulados nos dão vidas, temos de sacrificar alguns dos nossos amiguinhos doces. Os sacrifícios são encorajados pois contam para aumentar a pontuação no final de cada nível, assim como os seguidores e os segredos. Entre estes, é possível morremos empalados, queimados, afogados, queimados, e toda uma série de maneiras. Ao ver os seus seguidores morrerem após ele próprio os ter literalmente atirado para a morte, o nosso simpático personagem solta uma espécie de risada diabólica e é aqui que mais uma vez vem ao de cima o humor negro presente neste jogo e que é uma das suas principais características e pontos fortes. Para acentuar ainda mais esta característica, ao longo do jogo vamos ouvindo a narração de Creed Bratton de The Office, num tom sarcástico como, por exemplo, quando estamos a saltar numa espécie de trampolim feito de pastilha elástica e paus de gelado e ele nos diz “Bounce…yeah, bounce for me” num tom um tanto ou quanto sedutor.
Em termos de jogabilidade, o jogo apresenta algumas falhas demasiado notórias, como é o caso da lenta resposta do jogo quando efectuamos um Wall–jump ou até a área onde podemos atacar um inimigo ser demasiado pequena e muitas vezes acabamos por morrer não sabemos bem como. Relativamente aos gráficos, não são nada de inovador ou muito bom, mas são o suficiente para um jogo deste género. Os ambientes quase realistas estão bem construídos, assim como os personagens. Os efeitos sonoros, além do narrador, não são dignos de referência pois, além de esporádicos sons feitos pela nossa goma, existe apenas uma música que não difere muito entre os diversos níveis. Temos de ultrapassar 9 níveis com 3 temas diferentes, e todos eles com alguns bosses pelo caminho. O nível de dificuldade vai aumentando consideravelmente e exige do jogador saltos mais desafiadores e inimigos mais complicados de se ultrapassar.
Num ambiente e jogabilidade que se assemelham em muito ao Little Big Planet, não podemos esperar um jogo com a mesma qualidade deste. No entanto, apesar de algumas falhas, ganha pontos pelo seu humor e sadismo e serve para se passar algumas horas de entretenimento, sozinhos ou acompanhados no modo co-op, que nos darão também alguns momentos de frustração.








