Xenoblade Chronicles X

A melhor razão para se comprar uma Wii U!

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Creio que, desde Persona 4, para a Playstation 2, que não jogava um JRPG que exigisse tanto de mim como jogador. Quer em tempo que tive de dispensar, como em paciência para aprender a lidar com todas as mecânicas. Xenoblade Chronicles X é grande… Enorme… Massivo! É, sinceramente, mais do que eu esperava e mais do que eu pensei que a Wii U conseguisse fazer. A espera foi longa, o jogo foi anunciado em Janeiro de 2013, há quase três anos, porém, valeu a pena. Todos os trailers que se viram desde essa altura pareciam mostrar algo demasiado ambicioso, fácil de se tornar um antro de problemas. Todavia, não estamos a falar de uma empresa qualquer, mas sim da Monolith Soft, a trabalhar de braço dado com a Nintendo. Apesar de já ter sido lançado há alguns meses no Japão, chega finalmente à Europa. A acção desenrola-se no planeta Mira, assim intitulado pelos humanos após a sua chegada. O planeta Terra foi destruído numa guerra colossal entre duas facções alienígenas de identidade desconhecida. O seu poder era, aparentemente, avassalador e para lá de tudo o que nós conhecíamos. Embora poucos, alguns seres humanos conseguiram escapar em naves e andaram à deriva pelo universo. Uma dessas naves, a White Whale, onde nós e outros personagens nos encontrávamos, acabou por se despenhar em Mira após ser abatida por alienígenas.

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A narrativa desenvolve-se a partir do momento em que, após o despenhamento da nave, somos salvos por Elma, uma das personagens principais. Somos, assim, levados até New Los Angeles, a cidade que serve de base de operações para a raça humana, que tenta sobreviver a todo o custo num planeta desconhecido. Essa sensação de que a raça humana se encontra em perigo está muito bem conseguida. Todos parecem ter um papel importante a desempenhar na preservação do nosso património e a cooperação é essencial para o bem comum. Também nós começamos desde cedo a participar em várias actividades, que têm como objectivo a protecção dos interesses da nossa raça. Algo que me surpreendeu bastante foi a progressão da narrativa que, sinceramente, esperava que fosse muito mais linear e vazia. Contava que tivéssemos aquela cidade central e depois fosse apenas descobrir o mundo sem que a história desenvolvesse muito. Ou seja, por um lado, pensei que fosse haver muito mais foco na jogabilidade e, por outro, que a narrativa fosse relegada para quarto ou quinto plano. Contudo, felizmente isso não acontece, pois esta tem um papel muito importante e mantém-se sempre interessante durante o decorrer da campanha, sendo esta particularmente longa. Para quem gosta de jogos com narrativas extensas, personagens interessantes e repletas de cutscenes, então não procurem mais, Xenoblade Chronicles X tem tudo isso para oferecer e muito mais.

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Além de este não ser um título para iniciantes, também não é um indicado para quem tem pouca paciência e, muito menos, para quem não tem muito tempo disponível. Xenoblade Chronicles X oferece tanto para explorar e aprender, que nas primeiras horas se torna avassalador com a quantidade de informação que nos chega. Começando pelo combate, este é sempre divertido, podendo ao início ser um pouco confuso, para quem está habituado a algo mais tradicional. Os ataques normais são automáticos, para os quais apenas temos de comandar a posição do nosso personagem e os ataques especiais a usar. Os ataques especiais disponíveis estão relacionados com a vossa classe e o nível da mesma.

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Existem variadíssimas classes, todas elas diferentes e personalizáveis, para melhor se adequarem ao tipo de abordagem que cada jogador gosta de ter. Além do nosso personagem evoluir de nível e melhorar as suas estatísticas, cabe igualmente ao jogador evoluir, como achar melhor, as arts (ataques especiais já referidos) e também certos perks, que influenciam as estatísticas de cada personagem. Porém, não se fica por aí, já que quando adquirirmos um Skell, algo que podem ver nos trailers e que se assemelha a um mech, também estes são todinhos personalizáveis até ao mínimo pormenor. Além disso, ainda temos mecânicas que requerem a nossa atenção, como o nível de relacionamento dos personagens e a colocação de sondas. Esta última é bastante importante. O mundo de Xenoblade Chronicles X está dividido em vários espaços, que formam uma espécie de rede. Cada um desses espaços é uma área semi-independente. Em algumas delas é possível colocarmos uma sonda, sendo que estas têm várias utilidades, como fornecer recursos e informação, além de serem indispensáveis para a exploração deste massivo mundo de jogo.

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Isto, entre outros aspectos, pode ser gerido através do gamepad, que é mais útil neste título do que em qualquer outro jogo da consola, revestindo a sua existência de uma extrema conveniência. Sem necessidade de pausar o jogo, ou de loadings de menus e até mesmo daquilo que seriam menus complexos de difícil navegação, o gamepad, através da tecnologia touch, permite uma gestão fácil de vários aspectos do jogo. Finalmente, um jogo onde a utilização do gamepad é uma grande mais-valia, em vez de ser apenas algo engraçado que usamos uma vez para experimentar. Tal como referi, se não têm muito tempo disponível esqueçam este título. Xenoblade Chronicles X é enorme, não só tem uma quantidade imensa de mecânicas particulares, que requerem a vossa atenção, como tem um mundo colossal cheio de missões para completar. Além das missões principais, existem também secundárias que se denominam por affinity. Estas não se focam tanto na narrativa principal, mas sim nas relações entre os personagens. Também aqui, a palavra finalmente se aplica, já que é um jogo onde as missões secundárias não são só para encher chouriço. Estas são interessantes de serem jogadas e complementam, com eficiência, a narrativa principal, além de darem a conhecer melhor as personagens, que, a certo ponto, não são só humanas.

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Ou seja, acabamos por aprender também bastante sobre Mira nestas missões. Algumas delas são, no entanto, obrigatórias para avançar na história. Temos, também, uma quantidade absurda de missões de caça, resgate, entre muitas outras. Estas sim, são completamente opcionais. Podem aceitar um punhado delas e, enquanto exploram o planeta, podem ir completando-as sem stress. Como Mira tem muito para explorar, as missões vão, obviamente, obrigar-vos a explorar muito terreno. Contudo, por vezes, a mera curiosidade do que estará naquele local, possível de observar ao longe, é suficiente para uma caminhada de vários minutos. O mundo é, diga-se, um regalo para os olhos. Os gráficos são surpreendentes para as capacidades da Wii U, conseguindo fazer-nos parar por momentos, só a apreciar o que nos rodeia. A direcção de arte é fantástica, e Mira, que obviamente tem algumas parecenças com a Terra, aparenta ser genuinamente alienígena. Este planeta está dividido em cinco zonas completamente distintas, não só em termos visuais, mas também no que toca à fauna e à flora.

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Deixem-me inserir aqui um pensamento que acho ser de extrema importância, não só neste jogo, mas nos RPGs em geral. Até mesmo noutros géneros, para ser sincero. Preferencialmente, antes de jogar seja o que for, não sei nada sobre aquilo que me espera. Aqui não foi diferente. Iniciei Xenoblade Chronicles X sem fazer a mínima ideia do que se tratava, tendo apenas visto um trailer, que me pareceu mostrar um jogo incrível do qual tinha a certeza que ia gostar, caso este correspondesse àquilo que tinha visualizado. Explorar Mira sem saber absolutamente nada sobre o planeta e sem recurso a nenhum guia (devido a ter jogado no período pré embargo, onde nada desse tipo de informações pode sair para o público), foi uma das experiências mais recompensadoras de que tenho memória. A genuína sensação de exploração e descoberta foi indescritível. Por momentos, voltei até aos anos 90, quando, a certo ponto, fiquei bloqueado sem saber o que fazer, em determinadas alturas. Tive de descobrir por mim próprio, sem recurso à nossa querida internet e ao conhecido Gamefaqs, mas, acreditem, quando consegui foi muito mais valioso do que se tivesse usado esses recursos. Durante a exploração a sensação de desafio é uma constante. Ao longe, vão poder ver locais onde não vão poder aceder tão cedo, mas que vão ambicionar lá chegar, e seres de nível muito superior, que, também, vão querer conseguir vencer. Só isto, é suficiente para quando chegarem a um certo nível na evolução do vosso personagem, se lembrarem: “tenho de ir àquele ponto por onde passei no outro dia, de certeza que já consigo enfrentar os monstros lá presentes”.

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Xenoblade Chronicles X, como devem ter percebido até agora, é um jogo de excelência a vários níveis, no entanto, como é normal, não está livre de problemas. A música consegue ser excelente e terrível ao mesmo tempo. Apesar de a musicalidade enquanto exploramos ser interessante, há algumas faixas menos bem conseguidas. Normalmente, estas passam despercebidas, todavia, há alturas em que até atrapalham. Chegam a haver diálogos durante cutscenes onde a música que está por trás tem alguém a cantar, a um nível que dificulta focarmo-nos no que dizem os nossos personagens. Isto não aconteceu uma ou duas vezes, mas sim, em variadíssimas ocasiões, durante a campanha. Pode parecer apenas um reparo mesquinho, mas, pelo menos a mim, causou alguma confusão. Até porque como é que é possível os produtores não terem reparado que tal atrapalhava os diálogos? Algumas faixas também se repetem demasiado. Uma delas, que é uma das que vão ouvir mais frequentemente em loop, não tem um final, que, devidamente, se misture e disfarce, no início da repetição. Isto faz com que o jogador repare, invariavelmente, na fragmentação e repetição da mesma faixa.

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Problemas sonoros à parte, o planeta Mira tem uma particularidade bastante estranha. Durante a campanha, vão conhecer alguns seres indígenas do planeta, o que vos leva a pensar que existem comunidades no mesmo. Ou seja, deveriam existir algumas vilas, ou nem que fosse algum sítio particular onde esses indígenas habitam com os da sua espécie e, embora existam, são extremamente escassos e desprovidos de impacto significativo. Apesar de ser um planeta gigantesco, além dos monstros que ocupam os vários continentes e as diferenças entre eles, pouco há para descobrir fora dos cenários diferentes e paisagens arrebatadoras. Outra inconsistência é a presença em Mira dos seres que destruíram a terra. No início, é-nos explicado que duas forças alienígenas poderosas, para além da nossa compreensão, em guerra uma com a outra acabaram por destruir a terra. Todavia, em Mira, não são muito ameaçadores, perdendo fácil e frequentemente batalhas para os humanos.

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Por fim, quero explicar-vos aquilo que Xenoblade Chronicles X representa na minha perspectiva. Durante os anos 90 e início do século XXI, os RPGs japoneses eram uma constante, numa indústria de videojogos quase totalmente dominada por plataformas nipónicas. Muitos títulos deste género, produzidos durante esta época, tinham fortes influências da cultura ocidental, factor esse que facilitou a sua aceitação no nosso território. Final Fantasy VII, por exemplo, acaba por agradar a um público muito mais vasto do que algo como Atelier Totori. Xenoblade Chronicles X é, para mim, um regresso a esses tempos. Apesar da modernização inerente, este é um título que se sente nipónico, mas que, simultaneamente, tem muita influência da nossa cultura, fazendo dele, possivelmente, um título de grande aceitação pelo nosso território. Ou assim espero eu que sim, porque merece ser aceite e merece ter sucesso.

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A Monolith Soft conseguiu dar-me uma das melhores experiências de há muito tempo com um RPG japonês, o que é de louvar, e até porque já não era sem tempo que algo dentro do género me surpreendesse pela positiva. Xenoblade Chronicles X é um excelente jogo, grandioso, lindíssimo, ambicioso, complexo e exigente. Uma autêntica pérola, um dos melhores de 2015. Arrisco também a dizer que é um dos melhores RPGs japoneses que viu a luz do dia, na última década, e a melhor razão, até agora, para comprar uma Wii U.

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Veredicto
Um jogo ambicioso que surpreende bastante pela positiva. Um dos melhores RPGs japoneses da última década.
Plataforma
Wii U
Produtora
Monolith Sotf
Autor: Ivan Cordeiro Pesquise todos os artigos por

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