Zero Tolerance

8
Longevidade: 8/10
Jogabilidade: 8/10
Gráficos: 8/10
Som: 7/10

Inovações interessantes de jogabilidade, para a época.

Música repetitiva e uma área de jogo tão reduzida.

Zero Tolerance é um FPS da escola Wolfenstein 3D, lançado para a consola de 16-Bit da Sega, sem o apoio de qualquer hardware adicional, apenas num simples cartucho. Na verdade, este até é um jogo que bem se enquadrava na rubrica “Gamer em tempos de crise” aqui da PUSHSTART. Isto pois a Technopop, estúdio que desenvolveu o jogo, por intermédio do seu fundador Randel Reiss, decidiu tornar este jogo freeware, distribuindo inclusivamente a sua ROM no site oficial. A história é básica, nada de muito original ou rebuscado, mas afinal na altura, e principalmente neste tipo de jogos nem era necessário. O que interessava era mandar chumbo para tudo o que mexesse. Acontece que uns alienígenas (e outros soldados humanos) invadiram uma estação espacial e posteriormente o planeta Terra, e apenas uma pequena equipa de soldados de elite consegue resolver o problema. O resto é resto.

Zero Tolerance - Mega Drive (1)

Apesar de Doom já estar disponível no mercado desde 1993, em 1994 ainda se faziam muitos FPS que adoptavam a fórmula ainda mais simplista do Wolfenstein 3D, com cenários planos e corredores ortogonais. E Zero Tolerance enquadra-se nessa vertente, na medida em que os cenários são todos planos, embora por vezes existam superfícies diagonais. O jogo está dividido ao longo de 40 níveis, onde o único objectivo é matar todos os inimigos disponíveis e depois apanhar um elevador ou escadas para avançar para o nível seguinte, sendo que temos um boss a separar um conjunto de níveis. Mas nada nos impossibilita de avançar para o seguinte sem matar nenhum inimigo, a diferença é o jogo não nos fornecer a password de um certo mapa até que o mesmo esteja “completo” (não existe outro tipo de savegame). Os níveis, esses vão sendo um misto de grandes áreas abertas, com uma série de estreitos corredores labirínticos, o que por vezes torna mais difícil a tarefa de encontrar todos os inimigos, em níveis mais avançados. Para além do ecrã onde a acção decorre, existe uma enorme HUD (Heads-Up Display) onde são apresentadas ao jogador diversas informações adicionais, entre as quais a vida disponível, armas e munições e o número de inimigos ainda vivos. Para além disso também é mostrado um importante radar que para além de nos mostrar o mapa nas vizinhanças, também mostra a posição dos inimigos mais próximos. É possível observar o mapa completo do nível actual ao colocar o jogo em pausa.

Zero Tolerance - Mega Drive (1)

Os controlos são básicos, até porque o comando original da Mega Drive com 3 botões faciais assim o exige. O direccional serve para movimentar, mas utilizado em conjunto com o botão A, é possível saltar, agachar, ou fazer o “strafing” (andar na lateral) para a esquerda ou direita. Infelizmente os movimentos são algo lentos, e o suporte ao comando de 6 botões da Mega Drive provavelmente seria uma mais-valia. Mas este jogo apresenta uma inovação interessante, e essa prende-se com o sistema de inventário. Apesar de existir um número elevado de armas e itens, apenas podemos carregar cinco de cada vez. De armas podemos contar com os básicos revólveres e shotguns, explosivos como granadas, minas e lança-rockets, passando por uma série de armas futuristas, entre as quais uma arma com uma mira laser cujo ponto vermelho aumenta consoante a nossa distância de uma superfície. O conjunto de itens também é bastante original, não sendo visto noutros FPS da altura, desde um simples extintor para apagar fogos, um par de óculos de visão nocturna, um colete anti bala entre muitos outros. Para além disso, convém também referir o sistema multiplayer oferecido por Zero Tolerance. Ao contrário de um split-screen, o jogo oferece um modo cooperativo para dois jogadores, com as suas Mega Drives ligadas entre si através de um cabo que liga a entrada de comandos de uma consola à outra. Óbvio que não é uma maneira muito confortável de jogar, pois exige duas consolas, dois jogos e duas TVs. No entanto, não deixa de ser uma prática interessante que acabou por posteriormente ter sido utilizada em alguns jogos da Playstation original e Sega Saturn.

Zero Tolerance - Mega Drive (1)

Graficamente o jogo era impressionante na altura, tendo apenas em conta que corria na Mega Drive e sem o apoio de qualquer add-on (diga-se Mega CD ou 32X) ou chip adicional como a SNES fez em diversos jogos. A Mega Drive não possui suporte nativo de hardware a várias técnicas de rotação e zoom de sprites que são vistas neste jogo, pelo que eram efeitos muito incomuns de serem vistos na máquina de 16bit da Sega. No entanto esta minha “teoria” cai por terra quando olhamos para um outro jogo da Mega Drive também lançado no ano de 1994 chamado Bloodshot. Bloodshot é também um FPS que, apesar de ser mais simples e sem inovações oferecidas pelo Zero Tolerance, apresenta um detalhe gráfico na minha opinião melhor em diversos aspectos, sem contar que oferece multiplayer em splitscreen local e uma HUD muito mais reduzida, ao contrário de Zero Tolerance que ocupa quase dois terços do ecrã. Apesar de Zero Tolerance ter algumas sprites que não são lá muito bonitas vistas de perto, consigo encontrar alguns detalhes técnicos interessantes. Os níveis são pouco iluminados, pelo que só se consegue ver bem ao perto. Esta técnica de fogging é utilizada para cobrir incapacidades técnicas, mas acho que foi bem conseguida em Zero Tolerance. Existem até alguns níveis com fogos em que o fumo é tanto que a visibilidade é muito reduzida, praticamente obrigando à utilização de uns óculos de visão nocturna, se os possuirmos. Um outro detalhe técnico interessante de mencionar é o facto de as paredes se danificarem com os disparos ao lado. Infelizmente os mapas não são muito variados entre si, e o primeiro conjunto de níveis passado na estação espacial são especialmente repetitivos. Contudo, quando se avança para a área urbana, é possível observar alguns visuais de fundo mais interessantes, como uma gigantesca metrópole ao nosso redor. Os efeitos sonoros estão OK, com várias voice-samples, já as músicas são sempre as mesmas para cada área, o que se torna algo repetitivo.

Zero Tolerance - Mega Drive (2)

Randel Reiss, da Technopop, afirma que Zero Tolerance foi o primeiro FPS a chegar às consolas. Essa afirmação pode ser discutível, visto que em 1994 outros jogos como Wolfenstein 3D para SNES, Bloodshot para Mega Drive e Aliens vs Predator para a Atari Jaguar também foram lançados. Ainda assim, e embora confesse que hoje em dia FPS tão simples como o próprio Wolfenstein 3D do PC me aborreçam um pouco, Zero Tolerance é um jogo muito interessante para se descobrir no catálogo da Mega Drive. Só o facto de ter um inventário limitado, já se antecipou a Halo por uns bons anos.

Autor: Ivo Leitao Pesquise todos os artigos por

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