Zool

8
Longevidade : 8/10
Jogabilidade : 7/10
Gráficos : 8/10
Som : 8/10

Velocidade e controlos bastante bons

Dificuldade elevadíssima

No início dos anos 90, entre tantas batalhas de plataformas, travou-se uma que me marcou imenso no campo das 16 bits: Commodore Amiga 500 versus Sega Megadrive. Ambas tinham um processador Motorola 68000 (embora o resto do hardware fosse diferente) e adeptos de ambos os lados disparavam jogos das suas trincheiras tentando superar o inimigo. Independentemente de qual era a melhor (Amiga!), a guerra foi saudável, pendendo mais para o lado da Commodore. Obviamente a comparação nem se deve fazer, pois uma é consola e outro computador, mas comparar os jogos era inevitável. Em 1991 a trincheira da Sega disparou um morteiro que muita destruição fez no lado oposto: Sonic the Hedgehog.

Este era um jogo plataformas com grande velocidade e bons gráficos, ficou a ser uma mascote da marca, elevando a moral dos adeptos da Sega, e metendo os do Amiga a ansiar por um título que respondesse à letra. Vários meses se passaram sem que nada saísse que rivalizasse com o Sonic. Existiam outros bons jogos de plataformas (Turrican II, por exemplo) mas nada semelhante em termos de conceito. Até que em 1992 pela mão da Gremlin Graphics saiu para o Amiga o Zool. Desta vez a trincheira atingida foi a da Megadrive. Se o embaque foi superior? Talvez sim, talvez não.

Zool foi apresentado como sendo um “Ninja of the Nth Dimension”. Automaticamente conotado como um rival do Hedgehog, ganhou fama rapidamente, tanto por ser bom como por ser difícil. Reza a história que o seu criador George Allen, no jogo anterior Switchblade II, não tinha metido muitos inimigos no jogo. Com tanta crítica, para evitar o mesmo problema, Allen tentou fazer o contrário para este título, mas a dificuldade saiu demasiado exagerada.

A versão original foi para o Amiga mas seguiram-se vários portes como por exemplo: nos computadores, o Atari ST e o PC, nas consolas, Sega Mega Drive, SNES, Game Boy, Master System e também para a consola da própria Commodore, o Amiga CD32.

O protagonista tem um tamanho razoável no ecrã, e ironicamente foi descrito pela crítica como sendo uma formiga devida às semelhanças físicas, mas desmentido mais tarde pela produtora.

Nos primeiros níveis temos o patrocínio da Chupa Chups o que dá um aspecto extremamente “doce”. A quantidade de doçaria presente no ecrã é um atentado aos dentes e aconselha-se uma visita ao dentista depois de umas horas de jogo: geleias, bolos, chocolates, chupas e por aí fora, um autêntico delírio para os mais gulosos. Não deixem os mais pequenos verem isto, não vá algum se lembrar de ferrar a dentadura no ecrã.

Zool foi forçado a percorrer várias terras no nosso planeta com vista a atingir o ranking de ninja, e a sua tarefa não vai ser nada fácil, e posso garantir-vos que a partir do meio do jogo a dificuldade começa a subir de tal modo, que acabar o Manic Miner de olhos fechados parece fácil…

Sobre a jogabilidade, temos aqui o típico género de plataformas com scroll horizontal com o objectivo de ir do ponto A para o B. As direcções possíveis são esquerda e direita, baixar e saltar. Premindo Fire, estando parado ou a andar para os lados, faz disparar umas bolas, soltando e usando o fire faz rodopiar o boneco matando inimigos, e baixar com esquerda ou direita faz deslizar, aniquilando também a panóplia de oponentes que vão aparecendo. Temos também a possibilidade de nos agarrarmos às paredes, útil para transpor obstáculos. O jogo é rápido, embora não tão tanto como o Sonic, a velocidade deste último assenta em terreno mais aberto com obstáculos a aparecer em ângulos que permitem uma progressão mais veloz; o Zool tem uma mecânica diferente com maiores obstáculos que levam o jogador a quebrar mais vezes o ritmo e a esperar pelo timing certo.

Outra particularidade interessante é que temos alguns jogos dentro do próprio jogo, destaco a máquina arcade em que Zool tem de saltar em cima dos botões para jogar.

Zool tira bem partido do hardware, o que tornou bastante complicado o porte para algumas consolas como a Super Nintendo e a própria Megadrive, tendo sido a RAM apontada como uma das principais limitações no porte para estas plataformas. Obviamente foi alvo de chacota por parte dos fãs de Amiga.

No que toca a gráficos, são vistosos, com um grande leque de cores e muitos sprites no ecrã. A banda sonora está bem composta, com vários tipos de melodias diferentes. Em resumo, um jogo bastante bom e interessante, tendo em conta o ano em questão. Se não fosse esta dificuldade obscena, o jogo teria certamente atingido outros patamares e fama. Mesmo assim é digno de figurar entre os 100 melhores jogos de sempre para o Amiga.

Autor: Tiago Dias Pesquise todos os artigos por

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